Pouco depois de publicar uma série sobre acidentes nas estradas, a Gazeta Mercantil continuou com suas contribuições no debate sobre a gestão da logística no Brasil. Em um ótimo artigo assinado por Markenson Marques, diretor da Associação Brasileira de Logística (Aslog) e presidente da Cargolift Logística S.A., o jornal lembra os problemas que levam os custos com a logística comercial a aumentarem cada vez mais. O motivo principal? A falta de infra-estrutura.

“Embora o País demonstre prosperidade frente à desaceleração da economia mundial, o setor logístico está ameaçado de não obter os mesmos frutos que vinha colhendo. As razões para isso são a falta de infra-estrutura, a alta taxa dos pedágios, a elevação do preço do diesel e a restrição da circulação de veículos pesados no centro de São Paulo”, explica Marques. Sobre o rodízio, o Marcio já comentou aqui no blog como a questão pode ser controversa e exagerada. E os problemas não acabam aí. 

Se o transporte rodoviário responde por 60% das mercadorias que circulam no país, o que pode acontecer se ele ficar mais caro? Inflação? Crise? Todas as opções anteriores? Pois é, enquanto não integrarmos o nosso planejamento de gestão de logística industrial, comercial, corporativa - e todas as demais - sofreremos com a falta de agilidade, dificuldades e sérios problemas quando houver mudanças na política.

No artigo, o diretor propõe um período de cinco anos de adaptação a uma nova realidade em que sejam criados “centros expandidos para restringir a circulação de veículos pesados“. A idéia agradaria a gregos e troianos, prejudicados ou não pelo rodízio. Mesmo assim, enquanto isso não vira realidade, cada gestor pode otimizar seu trabalho através de ferramentas que facilitem o gerenciamento com fornecedores e de transportes de cargas.   

Qualquer profissional da área conhece a importância de checar periodicamente os indicadores de manutenção e disponibilidade da frota. Mas o problema da falta de infra-estrutura também não pode ser ignorado. Marques explica o motivo: “Deixar de tomar decisões a favor do transporte rodoviário pode trazer um efeito inflacionário e capaz de desorganizar a economia”.

Quem discorda? As discussões precisam ser menos reativas e se anteciparem às crises que virão.