Quer criar uma lenda? Aqui é o lugar! Poucos países são tão bons na criação de mitos como o Brasil. Um deles é o de que a alternativa pelos biocombustíveis afeta diretamente a logística no custo de transporte. Conseqüentemente, o petróleo continuaria a ser o nosso único e inevitável remédio energético. Convenceu você? Não? Nem a mim.
Também não convence Cristiano Borges, coordenador de novos projetos para biocombustíveis da Shell Brasil. Para ele, nada é mais “sem desculpa” do que a falta de investimentos na área. Ele já declarou que a vantagem brasileira em relação ao mercado internacional é imensa. “Nos Estados Unidos, a produção do biocombustível ocorre no Meio-Oeste enquanto o maior consumo está muito distante, na Costa Oeste. O custo de transporte é altíssimo”.
O Brasil, no entanto, como Borges ressalta, conta com infra-estrutura de biocombustível instalada, graças ao Programa Nacional do Álcool (ProÁlcool), criado em 1975. A Petrobras já encomendou um estudo que aborda o uso de um novo tipo de biocombustível. Além disso, alguns executivos já comentam a necessidade de ter opções. Mesmo que apenas isso já colocasse o biocombustível como importante investimento para o futuro, ainda existe o fato de que o Brasil se destaca pela capacidade comprovada de produção.
O biocombustível é tão prejudicial para o meio ambiente quanto o Petróleo, o que demanda uma gestão cuidadosa da frota. Para isso, existem soluções em TI que ajudam no controle de consumo e no gerenciamento de custos de produção. Aliadas a facilidade de sua obtenção, indicam que o biocombustível possa ser uma solução mais funcional e acessível para o setor, especialmente a longo prazo.
Se o Brasil se consolidar como exportador de etanol, ele terá que se planejar para atender um grande mercado no extremo leste do planeta, especialmente China e Japão, que sempre possuem enormes demandas de energia. Fará bem ao País e ao bolso de quem trabalha com transportes? É claro, o biocombustível pode ser a nossa grande realidade nos próximos anos. Vamos aproveitar ou vamos ficar discutindo mitos?
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