Se não puder fazer um trabalho, não o pegue. O mantra que todo profissional freelancer conhece serve para o atual momento das transportadoras. A diferença é que, se sempre existirá alguém interessado em pegar aquele trabalho que você não podia fazer, está cada vez mais difícil achar uma empresa que atenda à expansão da demanda. A demanda cresceu, mas quem vai levar tudo isso?

Os números não são animadores. De acordo com uma pesquisa do Centro de Logística da Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nos últimos 12 meses, 82% de 65 transportadoras consultadas responderam um “não, obrigado” para algum cliente. Os motivos: falta de capacidade ou custo do trabalho. Achou pouco? Tem mais: 51% afirmam que a oferta de transporte rodoviário de cargas, responsável por 60% do que é movimentado no País, está no limite. Não acredita? Paulo Fleury, professor da Coppead/UFRJ, fecha o assunto: “a demanda está crescendo bem mais que a oferta”. E ele não está sozinho:

“Em tempos de desespero, pegamos o que vem pela frente. Mas, num cenário de demanda forte como a atual, é normal darmos preferência a serviços e clientes mais rentáveis”, opina Djalma Miranda, diretor de planejamento da Transportadora Binotto, a quarta maior do País. No nordeste o quadro se agrava com caminhões voltando sem nenhuma carga, mesmo após dois dias de espera. Clientes que vendem para supermercados, trabalho considerado oneroso, são alguns dos descartáveis.

O lado bom é que algumas empresas passam a trabalhar apenas com esse tipo de carga. Já existem clientes mais exigentes procurando empresas que trabalhem com essa personalização. As que podem ter mais trabalho, claro. Empresas de médio e grande porte já podem buscar soluções em TI que ajudem no gerenciamento do problema de transporte. Afinal, a gestão ainda é a única saída viável para administrar questões como disponibilidadegerenciamentodiversas utilidades para a frota.

Muita informação? E eu nem falei do nível das estradas nacionais…