Como é do conhecimento geral da nação, a prefeitura paulista proibiu a livre circulação de caminhões na cidade. A restrição atinge as marginais dos rios Pinheiros e Tietê, a Avenida dos Bandeirantes e outros sete pontos da Capital e seguirá os mesmos horários e critérios do rodízio de carros. Quem descumprir o rodízio pagará multa de R$ 85,13. A pretensão é reduzir em 20% a quantidade de caminhões que circulam por essas regiões. A maior queixa dos caminhoneiros e das companhias é sobre seu prejuízo. Eles argumentam que a cidade também perderia dinheiro pelo impacto na logística empresarial. Será?
Em entrevista à Agência Estado, o economista Jaime Waisman, mestre em Engenharia de Transportes pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, afirma que muitas vezes o impacto econômico pode ser positivo e sem prejuízo para a logística. “O caminhão, que leva durante o dia 12 horas para fazer 20 entregas, poderá fazer 20 entregas em seis horas com o trânsito livre. Isso é economia para os transportadores. Por isso, eu acho uma boa medida”, explica Waisman. Na adaptação às mudanças, a tecnologia da informação pode ser um aliado valioso na gestão do relacionamento com fornecedores, no gerenciamento de cargas ou mesmo com ferramentas mais genéricas gerenciando toda a logística. Aliás, logística já era uma grande aposta de empresas de software há dois anos.
Além de paralisar o fluxo de produção da economia - e vale lembrar que a indústria já gera mais produção do que a quantidade de transportes suporta -, o principal argumento dos opositores do rodízio é o de que quando os caminhões saírem das ruas serão ocupados por carros menores que irão superar as vantagens do novo rodízio. “Proibir a circulação de cargas nas Marginais é inviabilizar o escoamento da produção do Sul e do Sudeste para o Porto de Santos. Acho que deve haver uma outra disciplina para os caminhões, como a restrição para circular só em três faixas das Marginais, por exemplo”, opina Nabil Bonduki, professor de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP) .
Entretanto, até mesmo o impacto na logística dos portos é controverso. Matéria publicada em maio pelo jornal A Tribuna pontua que uma reunião entre representantes da Secretaria Municipal de Transportes paulistana, da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e de três prefeituras da Baixada Santista com caminhoneiros e empresas transportadoras de cargas descartou fortes alterações na rotina dos portos. “O impacto é absolutamente administrável, será mínimo”, afirmou o secretário de Assuntos Portuários de Santos, Sérgio Aquino.
Independentemente do impacto, as empresas terão de lidar com a logística dos transportes nesse cenário. Existem ferramentas de TI que ajudam nessa organização, que inclui tratamento de ocorrências de transporte, de frete, controle de contas e outros.
De qualquer modo, ainda é cedo para ter certeza das virtudes e problemas causados pela adoção do rodízio. Apesar de estar em vigência há mais de um mês, especialistas lembram que ele começou durante as férias escolares. Mesmo assim, já é possível pensar em impactos óbvios, como mudanças residenciais e de logística comercial que vão de alimentos a eletrodomésticos, entre outros produtos. E os feirantes, como vão se virar?
Logística no Brasil: qual a nossa estratégia? - Sexta Marcha
November 6th, 2008 at 16:06
[...] de veículos pesados no centro de São Paulo”, explica Marques. Sobre o rodízio, o Marcio já comentou aqui no blog como a questão pode ser controversa e exagerada. E os problemas não acabam [...]